Análise Hexalt · Frotas · carro usado ·
Para quem tem frota, o preço do carro usado virou um custo.
Em 12 meses, o usado ficou 2,41% mais barato e o novo, 1,55% mais caro, segundo o IBGE, o instituto oficial de estatística. A seguir: por que isso pesa em locadoras, frotistas e em quem empresta com o carro de garantia.
O carro novo chinês, com preço agressivo, está empurrando para baixo o valor dos seminovos: lojistas anunciam abaixo da tabela de referência e os modelos tradicionais demoram mais para sair das lojas.
Para quem tem frota, isso não é detalhe de mercado. A depreciação, o custo de cada carro mês a mês, depende do valor que a empresa espera receber na revenda, e a norma contábil manda revisar esse valor pelo menos uma vez por ano. Usado mais barato vira custo maior no balanço antes mesmo da venda.
O número oficial mostra o movimento: em 12 meses, até agosto, o carro usado ficou 2,41% mais barato no IPCA, enquanto o novo subiu 1,55%, segundo o IBGE. No mesmo período, o crédito para veículos cresceu: R$ 22,6 bilhões a pessoas físicas em agosto, 22% mais que um ano antes, segundo o Banco Central. Para locadoras, frotistas e quem financia com o carro de garantia, a conta que decide é quanto tempo o carro fica e por quanto ele sai.
Base oficial: IBGE (IPCA, subitens automóvel usado e novo), Banco Central (crédito para veículos) e CPC 27, aprovado pela CVM.
Esta é uma análise de contexto setorial, não uma recomendação de investimento.
O que aconteceu
Só em agosto, o carro usado ficou 0,61% mais barato.
- Com modelos novos a preço agressivo, lojistas passaram a anunciar seminovos abaixo da tabela de referência.
- Os modelos tradicionais demoram mais para sair do estoque das lojas.
- O efeito começou nos utilitários maiores e já chega aos compactos.
O que é
Depreciação é a perda de valor do carro durante o uso, lançada como custo mês a mês.
A empresa paga o carro novo, usa e depois revende. O custo é o que ela pagou menos o valor residual, quanto ela espera receber na revenda, dividido pelos meses de uso. Revenda menor, depreciação maior.
O número
Quanto mudou o preço do carro usado em 12 meses, até agosto, no IPCA, o índice oficial da inflação:
−2,41%
No mesmo período, o carro novo subiu 1,55%. Quem adquire o carro novo e depois revende usado sente a diferença dos dois lados: paga mais na entrada e recebe menos na saída.
A regra
A norma contábil obriga a rever o valor de revenda pelo menos uma vez por ano.
É o CPC 27, o pronunciamento contábil sobre bens de uso das empresas, aprovado pela CVM, a comissão do governo que regula o mercado de capitais. Se a revenda esperada mudou, a empresa ajusta a depreciação dali em diante. A queda do usado entra no balanço sem esperar o carro ser vendido.
A chave
O tempo do carro na frota virou a decisão.
Troca antes de o carro perder mais valor. Gasta mais com carro novo, revende melhor.
Ganha a diária por mais tempo, mas revende depois um carro mais velho e barato.
O que muda para empresas
Quem tem carro no balanço ou como garantia:
- Locadoras e frotistas: mais depreciação, menos lucro.
- Frota própria e revendas: rever o valor do carro no balanço.
- Quem financia carro: a garantia vale menos, com 6,57% de inadimplência (atrasos de mais de 90 dias).
A conclusão
O custo de uma frota não se decide só na hora de comprar o carro, e sim na hora de revender.
Em agosto, o crédito para veículos estava em alta, com R$ 22,6 bilhões a pessoas físicas, 22% mais que um ano antes, e mesmo assim o usado caiu. Para quem tem frota, a pergunta passou a ser quanto tempo o carro fica e por quanto ele sai.
O que vem
Os balanços de julho a setembro, em novembro, vão mostrar a depreciação por carro.
Se os carros chineses mais baratos chegarem aos modelos de entrada, o usado das frotas deve cair mais.
Os termos, explicados
- CPC
- o pronunciamento contábil sobre bens de uso das empresas
- CVM
- a comissão do governo que regula o mercado de capitais
- IBGE
- o instituto oficial de estatística
- IPCA
- o índice oficial da inflação
- frota
- os carros que a empresa usa ou aluga
- depreciação
- a perda de valor do carro durante o uso, lançada como custo mês a mês
- inadimplência
- atrasos de mais de 90 dias
- valor residual
- quanto ela espera receber na revenda
Fontes oficiais
Cada número e cada regra deste texto foram conferidos no documento oficial abaixo.
- IPCA, variação acumulada em 12 meses até agosto de 2026: automóvel usado −2,41%; automóvel novo +1,55% (IBGE, tabela 7060, variável 2265, classificação 315, subitens 107654 e 7641); variação mensal de agosto de 2026 (variável 63): automóvel usado −0,61%
- IBGE/SIDRA tabela 7060, variável 2265«IPCA - Variação acumulada em 12 meses»: «agosto 2026 | 5102020.Automóvel usado | -2.41» e «agosto 2026 | 5102001.Automóvel novo | 1.55»
- IBGE/SIDRA tabela 7060, variável 63«IPCA - Variação mensal»: «agosto 2026 | 5102020.Automóvel usado | -0.61»
- IBGE/SIDRA tabela 7060, variável 2265
- concessões de crédito com recursos livres a pessoas físicas para aquisição de veículos: R$ 22.551 milhões em agosto de 2026, contra R$ 18.489 milhões em agosto de 2025 (+22,0%)
- Banco Central, SGS série 20673«Concessões de crédito com recursos livres - Pessoas físicas - Aquisição de veículos» (R$ milhões): «{"data":"01/08/2025","valor":"18489"}» e «{"data":"01/08/2026","valor":"22551"}»
- Banco Central, SGS série 20673
- taxa média de juros do crédito livre a pessoas físicas para aquisição de veículos: 26,42% ao ano em agosto de 2026
- Banco Central, SGS série 20749«Taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres - Pessoas físicas - Aquisição de veículos» (% a.a.): «{"data":"01/08/2026","valor":"26.42"}»
- Banco Central, SGS série 20749
- inadimplência (atraso superior a 90 dias) da carteira de crédito livre a pessoas físicas para aquisição de veículos: 6,57% em agosto de 2026
- Banco Central, SGS série 21121 «Inadimplência da carteira de crédito com recursos livres - Pessoas físicas - Aquisição de veículos», conceito: «Percentual da carteira de crédito livre do Sistema Financeiro Nacional com pelo menos uma parcela com atraso superior a 90 dias»; valor: «{"data":"01/08/2026","valor":"6.57"}»https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.21121/dados/ultimos/14?formato=json e
- Banco Central, SGS série 21121 «Inadimplência da carteira de crédito com recursos livres - Pessoas físicas - Aquisição de veículos», conceito: «Percentual da carteira de crédito livre do Sistema Financeiro Nacional com pelo menos uma parcela com atraso superior a 90 dias»; valor: «{"data":"01/08/2026","valor":"6.57"}»
- CPC 27 (ativo imobilizado): valor residual e vida útil revistos pelo menos ao fim de cada exercício; mudança vira mudança de estimativa; valor depreciável é deduzido do valor residual; documento publicado pela CVM
- CPC 27, item 51«O valor residual e a vida útil de um ativo são revisados pelo menos ao final de cada exercício e, se as expectativas diferirem das estimativas anteriores, a mudança deve ser contabilizada como mudança de estimativa contábil»; item 6: «Valor residual de um ativo é o valor estimado que a entidade obteria com a venda do ativo»; item 53: «O valor depreciável de um ativo é determinado após a dedução de seu valor residual»
- Deliberação CVM 583 (DOU de 03/08/2009)«Aprova o Pronunciamento Técnico CPC 27 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que trata de ativo imobilizado» (consolidada depois pela Resolução CVM 73/22)
- CPC 27, item 51
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